Tempos difíceis

Vivemos um período muito estranho. Os antigos debates, tão comuns nesse período eleitoral e que serviam como instrumento de cidadania, foram substituídos pela mais deslavada ‘marquetagem’. Tem mais chance de vencer a eleição quem tem mais dinheiro para contratar um bom marqueteiro. O horário eleitoral deu lugar a campanhas publicitárias com fortes apelos comerciais, que nem sempre correspondem à realidade, ou seja, sem nenhum compromisso com a ética e com os eleitores.

A política deixou de ser um instrumento de debate para a educação de um povo para se tornar apenas uma maneira de ascender aos píncaros da corrupção mais descarada.

Assistimos atônitos aos escândalos envolvendo a Petrobras. Um grupo de malfeitores tomou de assalto essa histórica empresa brasileira, tão ligada aos interesses nacionais, para criar um canal de escoamento de recursos para campanhas. Esse, infelizmente, é o exemplo mais acabado do que o mundo político se tornou.

Nada do que foi dito continua valendo. Mente-se com toda desfaçatez. A ética é jogada às favas. O mais dramático: não existe um projeto para o País. Apenas um projeto de poder. Grandes questões como a autonomia do Banco Central, decisiva em um país que não quer ser refém dos interesses mesquinhos dos grupos partidários, são deixadas de lado e discute-se se o candidato é desta ou daquela religião e se é contra ou a favor da união homoafetiva. Debate inócuo, uma vez que o Supremo Tribunal Federal já reconheceu a validade dessa união.

Novos mágicos do nosso tempo, esses políticos, que transformaram o terno e a gravata ou a saia vistosa em roupa de malandro(a), diariamente reinventam palavras, conceitos, deixando a vida um tanto mais vazia de sentido. “Não sei de nada”, “nunca soube disso”, “tudo será investigado” são frases que parecem coelhos tirados da cartola para servirem às mais diversas situações, na tentativa de eximir-se de suas responsabilidades.

Houve um tempo – parece tão longínquo – em que os militantes dos partidos se esforçavam em esclarecer a opinião pública sobre os diversos aspectos envolvidos numa eleição e sobre sua importância para vida de todos. Hoje, porém, isso não existe mais.

As campanhas políticas de hoje são um exemplo da deterioração desse mundo. Tudo é falso como uma Disneylândia. E o pior: tem gente que acha que vivemos mesmo em uma Disneylândia. Que mundo maravilhoso, que país maravilhoso… Enquanto isso, transporte coletivo sucateado, educação da pior qualidade, com pessoas se formando para empregos que não existem, saúde em total descaso, casos e mais casos de corrupção, etc. A julgar pela forma como nos tratam, esses políticos devem achar mesmo que vivemos na Disney. E que somos todos Patetas. Patetas ou palhaços. Basta assistir à propaganda eleitoral para chegar a essa conclusão.

Chega! Todos nós precisamos refletir muito antes de escolher em que votar na tentativa de darmos um basta nessa podridão que tomou conta da política brasileira. Precisamos mudar, efetivamente, os rumos do nosso país.

Enilson Simões de Moura (Alemão), presidente do Sindbast e vice-presidente da UGT

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